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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Gustavo Lins desfila vestido de porcelana de Sèvres em Paris


O estilista mineiro Gustavo Lins mostra nesta terça-feira, dia 22, no Pavillon Wagran, em Paris, sua vigésima coleção, marcada por elementos que sintetizam a filosofia da grife, como os quimonos, as mangas em couro avulsas, as torções em espiral inspiradas na musculatura e as peças boyfriend, como paletós oversize para as meninas. A linha masculina vem com o corpo super tailored e volumes fluidos nas mangas. Em ambas as coleções é evidente a utilização da moulage, em que a peça é cortada diretamente no manequim (ou no corpo), técnica obrigatória no processo criativo desse designer que é o único latinoamericano membro da Câmara Sindical de Alta Costura de Paris. 

Experimentos com porcelana de Sèvre na criação do estilista Gustavo Lins

O maior impacto entretanto deverá ficar por conta do resultado da colaboração do designer com a Manufacture de Sèvres. Juntos, construíram um vestido em porcelana montado como uma escultura. As peças usáveis ganharam detelhes em porcelana, como os pequenos suspiros nas luvas femininas e o nó em porcelana dourada da gravata masculina. Esse diálogo entre a vestimenta e a forma escultural é fruto da formação de arquiteto de Gustavo Lins.

Feminino

O designer gosta de brincar com a dualidade e vai do extremamente feminino ao super masculino para vestir a mulher, sem esconder sua feminilidade. Assim como passa diretamente do estruturado ao fluído: alguns vestidos são construídos com dois quadrados de seda: complexidade e simplicidade ao mesmo tempo, ele informa.

Os vestidos são longos, retos, drapeados e às vezes bordados. Alguns vestidos são construídos em espiral, se enrolando em torno do corpo em um movimento que pretende sugerir o infinito. O drapeado é ponto de destaque na coleção, pois a moulage permite a sensação de que o tecido apenas cai despretenciosamente sobre o corpo, embora o interior da peça revele a montagem engenhosa que resulta em tal naturalidade (sem contar que dá a quem veste uma ajuda em direção ao corpo perfeito). Casacos cavalière são combinados com calças no estilo montaria. 

O auge será o vestido de noiva branco, combinado com luvas de pelica caramelo, bordadas em turquesa, e um tule de seda também turquesa. Outras cores na paleta são o vermelho, o caramelo, o gelo, verde floresta e o azul profundo de Sèvres, que se apresentam também nas estampas abstratas pintadas por Gustavo.

Forma e movimento no Outono-Inverno 2012

Masculino

O homem de Gustavo Lins é requintado. Ganhou drapeados e golas amplas em peças de ombros discretos ou bem estruturados. Para obter o efeito de enroulements sobre o corpo escolheu materiais fluídos ainda que sejam flanelas leves de cashmere ou até mesmo vison. Os casacos têm costuras em linhas espirais ou ovais, sugerindo os músculos do corpo. 

Contra a celulite 

As luva são elementos importantes no desfile. Outra parceria aconteceu aqui. Desta vez com o grupo paulista Invel, detentor da tecnologia MIG3. Gustavo Lins criou para as meninas luvas, corpete e cinta em pelica, forrados com o tecido Invel.

O MIG3 é um composto formado por uma mistura controlada de minerais como alumina, silica e magnésia e substâncias cerâmicas. O tecido desenvolvido pela Invel tem esse componente incorporado, com propósitos terapêuticos: aliviar dores do corpo e combater a celulite. Ao entrar em contato com o calor do corpo, garante o fabricante, o MIG3 começa a irradiar infravermelho longo, estimulando a circulação e, consequentemente, o alívio da dor, melhora do aspecto da pele e da celulite, e sensação de conforto e bem-estar. 

Gustavo Lima

Gustavo descobriu sua verdadeira vocação durante o doutorado em Arquitetura. Depois de um curso técnico em alfaiataria e uma especializaçõa em modelagem, muitos livros sobre o métier e trabalho duro, prestou serviços como modelista para girfes como Jean-Paul Gaultier e Jean-Charles de Castelbajac. Trabalho durante cinco anos com a marca de Kenzo e, em 2003, iniciou sua própria grife. Em 2006 passou a integrar a Chambre Sindicale de Houte Couture como membro convidado.

Fotos: cortesia Gustavo Lins e reprodução



sexta-feira, 30 de março de 2012

Stefano Dominella: alta costura não é business

Stefano Dominella, presidente da Maison Gattinoni - uma das três casas de alta costura mais antigas da Itália, as outras são Salvatore Ferragamo e Emilio Pucci - disse ontem em entrevista coletiva que a alta moda não vai acabar, apesar da crise econômica e do fato de que, segundo ele, não mais do que 60 mulheres no mundo consomem haute couture. "A alta moda não é business, é cultura da moda; é estudio de pesquisa para o prêt-a-porter, é o propulsor para as licenças (óculos, perfumaria, acessórios)."

Dominella: que Gattinoni seja amuleto de sorte para Capital Fashion Week

Apesar das dificuldades econômicas pelas quais a Europa vem passando, Dominella acredita que o processo é cíclico e que, portanto, a recuperação virá. Profundo conhecedor do setor, ele é mais do que presidente da grife e sócio do diretor artístico Guillermo Mariotto na divisão de alta costura. Dominella participa da cúpula da Câmara Nacional da Moda Italiana e da direção da entidade que reúne as empresas e indústrias de moda do Lacio, região de Roma, que, com Milão e Florença forma os três núcleos da moda italiana. Veja aqui todas as atividades que desenvolve mas que apesar delas brincou, ainda dorme "oito horas por noite".

Tecidos experimentais: laminado em seda e gazar e jaqueta de palha tecnológica trabalhada artesanalmente

"Uma Casa que nasceu da Alta Moda, não poderia deixar de fazer alta costura" disse, lembrando que esse nicho também "sobrevive das noivas que usam todas as suas economias para ter um vestido assinado por Mariotto". Ele ressaltou a importância dos testes realizados com tecidos experimentais que, a partir das coleções couture, chegam ao prêt-a-porter, onde a grife também atua - ela apresenta sua coleção couture no evento Alta Roma e a linha pronta para vestir em Milão.

Dominella: "98 dias de trabalho para um vestido tão curto"

A realização da alta costura é a "expressão máxima da capacidade manual; na Gattinoni tudo é realizado no atelier, à mão, inclusive as rendas; é o vestido único, criado para a cliente e confeccionado no corpo da cliente, cujo preço jamais se diz - é um segredo entre a Maison e a cliente", sentenciou. "Não se enganem com o prêt-a-porter de luxo que é fabricado e se diz alta costura", alfinetou.

Foto Stefano Dominella: Daniel Fama
Vestidos coleção Primavera-Verão 2012 Alta Costura: cortesia Gattinoni 

quarta-feira, 28 de março de 2012

Gattinoni desfila pela primeira vez no Brasil

A Maison italiana de alta costura Gattinoni vem a Brasília como parte da programação Momento Itália-Brasil, com desfile que abrirá a edição 2012 do Capital Fashion Week, no dia 29 de março na Embaixada da Itália. Graziele Frederico enviou texto irretocável sobre a grande Casa de alta costura que reproduzo aqui, ilustrada por peças da coleção couture Primavera-Verão 2012.

Primavera-Verão 2012
A história da Maison Gattinoni é ligada a sua fundadora Fernanda Gattinoni (1907-2002), protagonista indiscutível da moda internacional por mais de 50 anos. Fernanda Gattinoni abre seu primeiro ateliê em 1946, a primeira peça com a etiqueta Gattinoni foi um tailleur de veludo verde para Clara Calamai. 

Fernanda Gattinoni construiu, de um pequeno atelier, uma das grandes grifes de luxo italianas

Depois de alguns anos Madame Fernanda muda-se para via Toscana, atual sede da Maison, a poucos metros da via Veneto. Seu ateliê, adjacente à Embaixada Americana, teve como cliente habitual a primeira embaixatriz dos Estados Unidos na Itália, Claire Booth Luce. Mas também as mulheres mais fascinantes da aristocracia romana e as atrizes de Hollywood freqüentaram o salotto-couture. Sem exceção. Anna Magnani, Lara Turner, Bette Davis, Barbra Stanwick, Ingrid Bergman frequentemente acompanhada do diretor e companheiro Roberto Rossellini, Gina Lollobrigida, Lucia Bose, Ava Gadner, Kim Novak, Elizabeth Taylor e Audrey Hepburn, inesquecível intérprete de Guerra e Pace. Fernanda Gattinoni assinou os figurinos da  célebre película, dirigida em 1956 por King Vidor, lançando o stile impero e obtendo uma nominação ao Oscar. 

Primavera-Verão 2012

Entre suas clientes mais ilustres estão também Golda Méier, Giulietta Masina, Mimise Guttuso, Jackie Kennedy. Margareth da Inglaterra, em 1961, fez um escândalo vestindo roupas Gattinoni no Palácio de Buckingham: a etiqueta da côrte negava que as Altezas Reais usassem vestidos criados por estilistas estrangeiros. Eva Perón escolheu no ateliê da via Marche, em 1947, o vestido preto para ser recebida pelo Papa Pio XII. E foi a própria Fernanda Gattinoni, quem substituiu com longas luvas brancas as mangas do vestido de renda de Maria Josè, Princesa da Bélgica, que se casava com o futuro Rei da Itália, Umberto di Savoia, em 8 de maio de 1930. 

O ateliê de via Toscana cresce e se renova na segunda metade dos anos 80 com as criações do filho de Fernanda Gattinoni, Raniero, que imprime na empresa uma virada, dando uma nova direção à internacionalização da grife. Uma verdadeira e própria operação de restyling aliando a Alta Moda ao Prêt-à-porter, sem trair o luxo e o alto artesanato. Traços que distinguem ainda hoje o produto Gattinoni.

Guillermo Mariotto, diretor criativo da Gattinoni

Raniero traz para seu lado, como coordenador, um companheiro de estudos, Stefano Dominella, hoje Presidente da Maison. Juntos lançaram linhas novas de Prêt-à-porter e acessórios usando métodos de vanguarda e idéias inovadoras, mesmo mantendo a tradição e a pesquisa de estilo, próprias da Gattinoni. Em 1988 entra para a equipe o jovem talento Guillermo Mariotto. Será ele a assumir a direção artística da Maison. Sua estréia oficial nas passarelas em 1994 ocorreu com um inesquecível desfile dedicado a Eva que inspirou a famosa cena da “Sfilata Nuda” no filme Prêt-à-porter de Robert Altamn. 

Fotos: reprodução

domingo, 8 de janeiro de 2012

Dior Couture: perfeição emocionante pelas lentes de Demarchelier

Passadas as festas de fim de ano, uma ótima oportunidade para recompor a biblioteca. Uma das obras primas publicadas em 2011 é o livro Dior Couture, publicado pela badalada editora Rizzoli, com fotos do genial Patrick Demarchelier. 

Na capa, o vestido Angel, do verão de 2011

São cerca de 100 vestidos das coleções de alta costura da Casa criada por Chiristian Dior - um magnífico registro das criações do próprio Dior, desde a primeira coleção, de 1947, até o banido John Galliano, passando por Yves Saint Lourent e Marc Bohan. 

 Casaco Ko-Ko-San, da coleção de verão 2007
O icônico casaco Aventure, que revolucionou o Verão de 1948
Primor no bordado e construção no look Casulo, do Verão 2008
 Demarchelier capturou o espírito dramático e luxuoso da Maison Dior
 Desconstrução da obra de arte: corset e vestido France (Inverno 2005) e corset (Inverno 2004) 
Vestidos-flores da coleção Outono 2010

Demarchelier acompanhou o trabalho das costureiras no atelier de costura e por dois anos capturou a qualidade e o padrão estético da Maison. Ele clicou as modelos Karlie Kloss, Kim Noorda, Magdalena Frackowiak, Maryna Linchuk, Monika "Jac" Jagaciak e Sasha Pivovarova - em imagens coloridas e em preto e branco - em locações como L'Opéra e o Museu Rodin, em Paris, e Times Square, em Nova York. A introdução é do artista Jeff Koons e os textos, de Ingrid Sischy, editora das edições européias de Vanity Fair e ex-editora chefe da revista Interview. Pode ser comprado por US$ 72 na Amazon.